Lesões em Corredores: Guia das Principais Causas, Sintomas e Prevenção
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Lesões em Corredores: Guia das Principais Causas, Sintomas e Prevenção

A corrida de rua é, sem dúvida, uma das atividades fí­sicas que mais cresceu nas últimas décadas no nosso país. Acessível, democrática e com benefícios comprovados sobre o sistema cardiovascular, o controle de peso e a saúde mental, ela conquista milhões de praticantes, desde o iniciante que busca emagrecer ao maratonista experiente. No entanto, junto com a popularidade, vieram também as lesões em corredores, responsáveis por afastar entre 50% e 75% dos praticantes da modalidade pelo menos uma vez por ano, segundo dados consolidados da literatura ortopédica internacional.

Entender as causas dessas lesões são o primeiro passo para correr com segurança, evoluir nos treinos e prolongar a vida ativa. Neste guia, o ortopedista especialista em tornozelo e pés, Dr. Rodrigo Macedo, reúne as lesões mais frequentes entre corredores: A tendinopatia do tendão de Aquiles, fascíte plantar, metatarsalgia, entorse de tornozelo, canelite e fraturas por estresse, explicando, de forma clara e baseada em evidências, como elas surgem, quais são os sinais de alerta como trata-las e principalmente como prevenir cada uma delas.

(AQUI VOCÊ ENCONTRA A REFERÊNCIA CIENTÍFICA QUE EMBASAM ESSES DADOS).

As corridas de rua cresceram de maneira exponencial nos últimos anos!!
As corridas de rua cresceram de maneira exponencial nos últimos anos!!

Por que corredores se lesionam? Os mecanismos por trás das principais lesões

Índice

Antes de detalhar cada quadro, é importante compreender que praticamente todas as lesões da corrida têm uma origem em comum: a sobrecarga. Diferentemente de traumas agudos (uma queda, por exemplo), as lesões mais típicas do corredor são de natureza chamada overuse, ou seja, o resultado de microtraumas repetidos que excedem a capacidade biológica de recuperação do tecido.

Cada vez que o pé toca o solo durante uma corrida, o corpo absorve um impacto equivalente a 2,5 a 3 vezes o peso corporal. Em uma corrida de 5 km, esse ciclo se repete cerca de 4.000 vezes para cada perna. Quando o volume de treino, a intensidade ou a superfície modificam de forma abrupta, sem o tempo necessário para adaptação tecidual, as estruturas musculoesqueléticas começam a falhar.

Você Sabia? Dentro da minha prática de treino e no consultório, percebo cada vez mais que, a desobediência as planilhas de treinamento ou a falta delas é uma das principais causas de um treinamento sem critério e que leva a sobrecarga e lesões?

Os principais fatores de risco para lesão na corrida:

  • Aumento abrupto de volume ou intensidade (regra dos 10% violada)

Esse é sem dúvida um dos melhores artigos relacionados ao tema que já tive oportunidade de ler e por em prática, tanto nos meus treinamentos quanto nos treinamentos dos meus pacientes.

Muito comum que ao se empolgar durante a evolução nas corridas, o atleta queira aumentar o seu desempenho, seja através do volume ou intensidade dos treinamentos… eis o maior dos vilões.

  • Calçado inadequado ou desgastado (acima de 600 a 800 km de uso)

Não existem um calçado padrão que seja ideal para todos os corredores. Tudo depende da biomecânica do tornozelo e pé, o seu formato, tipo e intensidade de treino. Uma coisa que é comprovada na literatura é: a alternância de calçados diminui lesões.

Erros de pisada e desequilíbrios biomecânicos não corrigidos

Muitas vezes conseguimos identificar esse padrão com o exame físico, enquanto em outros pacientes os exames de biocinética podem ajudar a detalhar melhor. Exemplos clássicos que mudam a qualidade de exercício e corrida é o alongamento do aquiles em pacientes encurtados, identificar fraquezas proximais que mudam a marcha e o ataque ao solo, entre outras diversas alterações que podem estar associadas a lesões.

Falta de descanso adequado, sono insuficiente e nutrição deficitária.

Esse tripé: Exercício, Bioquímica Nutricional e Sono nunca estão separados. Entender que os três formam uma base de apoio para manter mais do que a performance, a longevidade da atividade e da qualidade de vida. Engraçado que todo médico fala: Precisa fazer atividade, melhorar a dieta e dormir mais…MAS COMO??? Poucas pessoas sabem responder de maneira assertiva sobre isso.

  • Histórico prévio de lesões

Essa é uma informação que vale ouro!!! Muitas pessoas ignoram as lesões passadas, mas muitas vezes elas são um verdadeiro mapa de onde pode estar a fonte de uma lesão atual ou de onde podemos agir para evitar uma lesão futura.

A boa notí­cia é que a maior parte dessas lesões são previsíveis e preveníeis. Para isso, é fundamental conhecer cada quadro em profundidade e contar com acompanhamento profissional especializado pode ser determinante para identificar precocemente fatores de risco individuais e personalizar a estratégia de prevenção.

Tendinopatia (Tendinite) de Aquiles: a vilã silenciosa do corredor

O tendão de Aquiles, o mais robusto do corpo humano, conecta os músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) ao calcâneo. Apesar e devido a sua robustez, esses músculos são muito sobrecarregados na corrida. Cada passada exige até 12 vezes o peso corporal passando por essa estrutura. Por esse motivo não surpreende que a tendinopatia do Aquiles seja uma das três lesões mais comuns no corredor.

Imagem de ressonância magnética mostrando uma inflamação no tendão de Aquiles e na bursa próxima ao tendão, em paciente que havia aumentado o volume de corrida de maneira abrupta.
Imagem de ressonância magnética mostrando uma inflamação no tendão de Aquiles e na bursa próxima ao tendão, em paciente que havia aumentado o volume de corrida de maneira abrupta.

Causas e fatores predisponentes

A tendinopatia de Aquiles raramente surge de um único evento. Ela é o resultado de microlesões acumuladas, geralmente associadas ao aumento abrupto do volume de treino, a introdução de tiros em alta intensidade, a corrida em subidas e ao encurtamento crônico da unidade formada pelos músculos e tendão. Junto com isso, calçados muito flexíveis ou com drop excessivamente baixo (sem amortecimento posterior) ou que promovam atrito na região posterior do tornozelo também podem ser desencadeantes em corredores não adaptados.

Como reconhecer os sintomas?

  • Dor e rigidez na parte posterior do tornozelo, especialmente nos primeiros passos da manhã.
  • Sensação de “atrito ou rigidez” no início da corrida que melhora com o aquecimento.
  • Espessamento ou nódulo palpável no terço médio do tendão.
  • Piora da dor ao subir escadas, correr em aclives ou aumentar a velocidade.

Tratamento e retorno seguro

O manejo moderno da tendinopatia de Aquiles deixou de ser apenas repouso e anti-inflamatórios. Hoje, a abordagem padrão-ouro envolve protocolos de exercícios excêntricos progressivos (Alfredson, Silbernagel), terapia manual, controle de carga e, em casos selecionados ondas de choque. A cirurgia é reservada para casos refratários ou com degeneração muito avançada.

Ignorar os primeiros sinais é o maior erro. Além disso, o atraso no diagnóstico transforma um quadro tratável em meses em uma tendinopatia crônica que pode persistir por anos. Neste vídeo, o Dr. Rodrigo Macedo descreve algumas técnicas minimamente invasivas para reconstrução do tendão de aquiles.

O MEU TRATAMENTO FALHOU E AGORA? SAIBA MAIS.

Fascite Plantar: a dor que tira o sono (e o primeiro passo da manhã)

A fáscia plantar é uma faixa fibrosa espessa que se estende do calcâneo até a base dos dedos, atuando como um “arco de mola” que sustenta a curvatura do pé e distribui o impacto durante a corrida. A fascite plantar é justamente a inflamação ou degeneração dessa estrutura, podendo afetar até 1 em cada 10 corredores ao longo da carreira.

Está aqui uma das principais causas que leva o indivíduo a ter que reduzir e até mesmo suspender os treinos quando é negligenciada.

Como a fascite plantar surge?

A causa central é, novamente, sobrecarga repetitiva. Mas alguns fatores aumentam significativamente o risco: excesso de peso, panturrilha encurtada, pés cavos ou planos, uso de calçados sem suporte adequado e treinos excessivos em superfícies muito duras (asfalto, concreto). Corredores que passam várias horas em pé no trabalho, o que é comum em profissionais da saúde, professores e vendedores, também apresentam risco aumentado por esse motivo.

Os sinais clássicos

  • Dor aguda na região do calcanhar (ou em todo o arco plantar) ao dar os primeiros passos da manhã.
  • Melhora parcial após alguns minutos de movimento, com piora ao final do dia.
  • Dor que piora após longos períodos sentado ou em pé sem se mover.
  • Sensibilidade à palpação na origem da fáscia (Bem em baixo do calcanhar!)

Tratamento eficaz e o que evita a cronificação

A fascite plantar tratada precocemente tem excelente prognóstico, atingindo bons resultados em mais de 90% dos casos!! O protocolo inclui alongamento específico da fáscia e da panturrilha, fortalecimento da musculatura intrínseca do pé, terapia manual e, eventualmente, infiltrações guiadas por ultrassom ou radioscopia. As ondas de choque apresentam respaldo robusto da literatura para casos crônicos. A cirurgia, hoje, é raramente necessária.

Neste vídeo, o Dr. Rodrigo Macedo ensina um dos exercícios que ele mais indica para os pacientes quando estamos falando sobre o tratamento da fascite plantar.

Quando estamos falando de fascite plantar, saber escolher o tênis adequado a cada tipo de treinamento pode mudar o jogo e a longevidade do atleta.
Quando estamos falando de fascite plantar, saber escolher o tênis adequado a cada tipo de treinamento pode mudar o jogo e a longevidade do atleta.

Metatarsalgia: quando a planta do pé pede socorro?

Metatarsalgia é o termo usado para descrever a dor na região dos metatarsos, bem na parte anterior e plantar do pé, logo atrás dos dedos. Não é uma doença única, mas um conjunto de quadros (síndrome do segundo metatarso, neuroma de Morton, capsulite, sesamoidite) que compartilham uma caracterí­stica em comum: sobrecarga focal nessa região durante a marcha e a corrida.

Por que corredores desenvolvem metatarsalgia?

Existem várias razões. Quedas naturais do arco com a idade, encurtamento do trí­ceps sural, deformidades como joanete e dedos em garra, calçados com bico estreito ou apertado e mudanças bruscas no tipo de tênis (especialmente a transição para modelos minimalistas sem adaptação progressiva). Em corredoras, o uso frequente de saltos altos no dia a dia também é um fator agravante.

Sintomas que devem ligar o alerta

  • Dor em queimação ou aguda na sola do pé, na altura dos dedos.
  • Sensação de “caroço” ou “meia enrolada” sob a ponta do pé.
  • Dormência ou formigamento que se irradia para os dedos (sugestivo de neuroma de Morton).
  • Calos espessos sob a cabeças dos metatarsos, indicando aumento de pressão local.
Duas imagens de ressonância magnética que mostram causas clássicas de metatarsalgia em corredores: Seta amarela (NEUROMA DE MORTON) e seta branca (SESAMOIDITE)
Duas imagens de ressonância magnética que mostram causas clássicas de metatarsalgia em corredores: Seta amarela (NEUROMA DE MORTON) e seta branca (SESAMOIDITE)

Manejo clínico atual

Geralmente, o tratamento começa pelo óbvio e essencial: Ajuste de calçados e redução temporariamente da sobrecarga, o que é completamente diferente de parar a atividade!!! Fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé e da panturrilha, alongamentos específicos e, em casos com componente neural (neuroma de Morton), infiltrações guiadas por ultrassom podem complementar a abordagem. Cirurgias são reservadas para casos refratários ou com deformidades estruturais associadas.

Para uma avaliação personalizada do pé e tornozelo do corredor com o Dr. Rodrigo Macedo, incluindo análise de pisada, escolha do calçado adequado e ajuste do tipo , volume e intensidade das atividades, procure o ortopedista de confiança.

Entorse de Tornozelo: o trauma agudo que pode virar problema crônico

Entre todas as lesões discutidas neste guia, o entorse de tornozelo é a única tipicamente aguda, ou seja, ocorre em um instante. Um pé mal apoiado em um buraco, uma pisada em pedra solta, um desní­vel imperceptí­vel no asfalto, e o tornozelo “vira”, estirando ou rompendo os ligamentos laterais.

Anatomia rápida do trauma:

O ligamento mais frequentemente lesionado é o talofibular anterior, seguido pelo calcaneofibular. Além disso, em entorses graves, mais de um ligamento pode romper, levando às lesões multiligamentares. A diferenciação correta exige exame físico detalhado e, frequentemente, exames como ultrassonografia e ressonância magnética.

Por que o entorse é especialmente perigoso para corredores?

O grande problema do entorse não é apenas o episódio agudo em si, mas o que vem depois. Estudos mostram que até 40% dos corredores que sofreram uma entorse podem desenvolver instabilidade crônica do tornozelo, tornando-se propensos a entorses recorrentes. Cada novo episódio agrava a lesão cartilaginosa e aumenta o risco de artrose precoce do tornozelo. Ou seja, aquele pequeno problema com excelente prognóstico se tratado de maneira adequada, pode virar um problemão! A artrose do tornozelo pode levar a uma incapacidade funcional e os tratamentos disponíveis não conseguem restaurar uma função exatamente igual a anterior.

AQUI UM VÍDEO DO YOUTUBE FALANDO SOBRE ENTORSE: Lidando com o entorse no tornozelo.

Conduta inicial e reabilitação

O protocolo POLICE (Proteção, Carga Otimizada, Gelo, Compressão e Elevação) substituiu o antigo PRICE e enfatiza a importância da carga progressiva, em vez do repouso absoluto. Após a fase aguda, a reabilitação envolve recuperação da amplitude de movimento, fortalecimento de fibulares e tibial posterior, bem como treinamento proprioceptivo. Negligenciar essa última etapa é a principal causa da instabilidade crônica.

A boa notícia: 80 a 90% dos entorses respondem bem ao tratamento conservador bem conduzido. Os casos cirúrgicos são minoria e geralmente envolvem instabilidade crônica refratária ou outras lesões associadas.

Canelite (Síndrome do Estresse Tibial Medial): a marca registrada do iniciante ou de quem se empolgou

Se existe uma lesão que praticamente “batiza” todo corredor iniciante, é a canelite. Tecnicamente chamada de síndrome do estresse tibial medial (SETM), ela representa de 10% a 20% de todas as lesões em corredores! Esse é um número expressivo que reflete sua altí­ssima prevalência.

O que realmente acontece na canela?

A canelite é uma reação inflamatória do periósteo e dos tecidos moles adjacentes na borda medial da tí­bia, decorrente de microestresse, relacionada ao trauma repetitivo. Quando ignorada, a SETM pode evoluir para uma fratura por estresse da tíbia, um quadro mais grave que exige afastamento prolongado da corrida.

Quem está mais propenso?

  • Corredores iniciantes que aumentam volume rapidamente.
  • Pessoas com pés planos ou com hiperpronação acentuada.
  • Treino predominante em superfí­cies duras ou inclinadas.
  • Atletas com baixa ingestão calórica e/ou baixa de vitamina D.

Sintomas e diagnóstico

A queixa típica é uma dor difusa, em peso ou queimação, ao longo da borda interna da tí­bia (cerca de 5 cm acima do tornozelo). No início, a dor aparece apenas no começo da corrida e melhora com o aquecimento. Conforme o quadro evolui, a dor passa a persistir durante todo o treino e, eventualmente, em atividades cotidianas. O diagnóstico é predominantemente clínico, mas a ressonância magnética é fundamental para diferenciar a canelite de uma fratura por estresse, o que nem sempre é uma tarefa simples.

Tratamento e prevenção

O pilar do tratamento é a redução temporária da carga, substituindo parte do volume de corrida por modalidades de baixo impacto, como bicicleta, deep running, natação e elíptico, mantendo os treinos de Zona 2 bem como o VO2, sem agravar o quadro. Fortalecimento de glúteos, core e tibial anterior, alongamentos da panturrilha e ajustes de tênis completam a abordagem.

Muitos desses pacientes vão necessitar de uma avaliação biocinética da marcha, afim de localizar exatamente os pontos principais de fraqueza e encurtamentos os quais devem ser priorizados durante a estruturação de um trabalho físico que vise promover a redução das lesões e a longevidade no esporte.

Importante: dor persistente na canela nunca deve ser tratada apenas com anti-inflamatório e “voltar a treinar”. Pode estar mascarando uma fratura por estresse iminente. Portanto , procure orientação especializada.

Fraturas por Estresse: o limite que o osso impõe

Quando o microestresse repetitivo excede a capacidade de remodelação óssea, surge a fratura por estresse, que nada mais é do que uma fissura microscópica no osso, geralmente nos metatarsos, na tí­bia, no fêmur, fíbula ou no calcâneo. Ela representa cerca de 6% a 20% das lesões em corredores de longa distância, com particular incidência em mulheres jovens e atletas com déficit energético relativo.

Isso pode estar relacionado a três componentes principais:

– Treino excessivo;

– Dieta inadequada;

– Recuperação insuficiente, que vai desde um sono não reparador até a falta de ajuste de treinos após longas viagens, períodos de doença ou correlatos.

O mecanismo: fadiga + biologia óssea

Diferentemente de uma fratura traumática, a fratura por estresse não envolve queda, torção nem impacto direto. Ela ocorre quando há um desequilí­brio entre a microlesão diária (provocada pelo impacto da corrida) e a capacidade de reparo do tecido ósseo. Esse desequilí­brio é especialmente grave quando coincide com baixa disponibilidade energética, deficiência hormonal (amenorreia em corredoras) e baixa densidade mineral óssea: o que configura a chamada Trí­ade da Atleta Feminina, hoje atualizada para o conceito de RED-S (Sí­ndrome de Deficiência Energética Relativa no Esporte).

Sinais clí­nicos sugestivos

  • Dor pontual, bem localizada.
  • Piora progressiva com o esforço, que começa apenas em corridas longas e passa para qualquer impacto.
  • Dor à palpação direta sobre o osso e/ou ao ato de saltar em uma única perna.
  • Edema discreto local; piora noturna em casos avançados.

Diagnóstico e tratamento

A radiografia simples frequentemente não detecta a fratura por estresse nos primeiros 15 a 21 dias. A ressonância magnética é o exame de escolha para diagnóstico precoce, com sensibilidade próxima de 100%. O tratamento exige afastamento da corrida por 4 a 12 semanas (a depender do osso acometido), substituição por exercícios sem impacto, suporte nutricional adequado (cálcio, vitamina D, calorias suficientes) e, em casos de localização de risco, eventualmente cirurgia preventiva com fixação do local da fratura.

A retomada da corrida deve ser gradual, monitorada e idealmente acompanhada por um ortopedista. Voltar cedo demais é a principal causa de fraturas por estresse recorrentes ou complicações graves, como pseudartrose, que é a fratura que não se completa, mas não une novamente.

Como prevenir lesões na corrida: estratégias com respaldo cientí­fico

Prevenir é, sem trocadilhos, o melhor caminho. As estratégias abaixo são baseadas em revisões sistemáticas e diretrizes internacionais de medicina esportiva e ortopedia.

1. Respeite a regra dos 10%

Aumente o volume semanal de corrida em no máximo 10% por semana. Picos abruptos são a principal causa de overuse. A cada quatro semanas de progressão, intercale uma semana de “descarga” com 30 a 40% menos volume para permitir recuperação tecidual completa.

2. Treinamento de força é inegociável

Corredores que realizam treino de força regular apresentam 50% menos lesões. Glúteos, core, panturrilhas e tibial posterior devem ser priorizados em pelo menos duas sessões semanais. A sarcopenia e o desequilíbrio muscular são causas evitáveis de lesão.

3. Diversifique o treino

Substitua um dia de corrida por bike, natação ou elí­ptico. Trabalhe mobilidade e propriocepção 2 a 3 vezes por semana. A monotonia mecânica é tóxica para os tecidos.

4. Calçado certo, no momento certo

Não existe “melhor tênis do mercado”, “existe o melhor tênis para você realizar um treino específico”. Avalie sua pisada com profissional habilitado, considere drop, amortecimento e suporte de acordo com sua biomecânica e troque o tênis a cada 600 a 800 km. Ter diferentes pares em rotação reduz a incidência de lesões em até 39% (estudo do Sports Medicine).

5. Sono, nutrição e gestão de estresse

A recuperação acontece fora do treino. Menos de 7 horas de sono regularmente aumenta o risco de lesão musculoesquelética em até 70%. Ingestão calórica e de proteí­na adequadas, hidratação e gerenciamento do estresse mental são pilares tão importantes quanto a planilha de treino. (QUE DEVE SER SEGUIDA!!!)

6. Avaliação ortopédica periódica

Para corredores recreativos, uma avaliação anual costuma ser suficiente; para os mais avançados (mais de 50 km/semana), a recomendação é semestral. Análise de pisada, exame da força e flexibilidade, revisão do treino e avaliação de quando é indicado alguns exames de imagem podem ajudar a identificar precocemente pequenos desequilí­brios antes que virem grandes lesões. Agende sua avaliação especializada com o Dr. Rodrigo Macedo para um plano individualizado e seguro.

Quando procurar um ortopedista? Sinais que não devem ser ignorados

A regra de bolso é: Correr dói, mas a dor que persiste por mais de uma semana, mesmo após reduzir os treinos, exige avaliação. Outros sinais de alerta incluem:

  • Dor que altera o padrão de pisada ou da corrida.
  • Edema (inchaço) que não regride com descanso.
  • Dor noturna que tira o sono.
  • Bloqueios articulares, falseios ou estalidos dolorosos.
  • Dor pontual sobre osso, especialmente após aumento de volume.
  • Quadro que recorre repetidamente, sem melhora definitiva.

A automedicação prolongada com anti-inflamatórios, cremes e adesivos mascara sintomas, atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de cronificação. O ortopedista é o profissional mais qualificado para conduzir o diagnóstico, indicar exames complementares quando necessários e orquestrar a equipe multidisciplinar (fisioterapeuta, educador físico, nutricionista) que darão suporte a uma reabilitação completa.

Perguntas frequentes sobre lesões em corredores

Posso continuar correndo com dor leve?

Depende da caracterí­stica da dor. Desconfortos musculares difusos, que melhoram com aquecimento e não pioram durante o treino, geralmente podem ser monitorados. Dores pontuais, que pioram com a corrida, persistem após o treino ou alteram a pisada exigem avaliação.

Quanto tempo até voltar a correr após uma lesão?


Varia muito conforme a lesão. Entorses leves: 2 a 4 semanas. Tendinopatia de Aquiles: 8 a 12 semanas. Fascite plantar: 6 a 12 semanas. Fraturas por estresse: 4 a 12 semanas. O retorno deve ser gradual e idealmente supervisionado por profissional especializado.

Tênis minimalista é mais ou menos seguro?

Nem mais nem menos! Tudo depende da adaptação. A transição para calçados minimalistas exige semanas a meses de progressão muito gradual e fortalecimento prévio dos pés e da panturrilha. Feita de forma abrupta, é uma das principais causas de fraturas por estresse e fascite plantar em corredores recreativos. Tudo depende também da anatomia dos pés e tornozelos do corredor bem como do tipo de prova e terreno que ele realiza os exercícios.

Palmilha ortopédica resolve qualquer dor no pé?

Não. A palmilha é uma ferramenta valiosa em alguns casos, mas não substitui correção biomecânica, fortalecimento e ajuste de treino. Palmilhas devem ser prescritas após avaliação criteriosa, idealmente em conjunto com um ortopedista do esporte.

Vale a pena fazer infiltração?

Em casos selecionados, sim. Infiltrações guiadas por ultrassom, sejam de corticoide, ácido hialurônico ou PRP (plasma rico em plaquetas) são algumas das opções, mas devem sempre ser parte de um plano terapêutico mais amplo, e não uma solução isolada.

Conclusão: corra mais, lesione-se menos

As lesões em corredores são, em sua maioria, evitáveis. Por trás da dor que afasta milhares de praticantes da corrida todos os anos, há uma combinação previsível de sobrecarga, desequilí­brios biomecânicos, calçados inadequados e sobretudo um atraso na busca por avaliação especializada. Conhecer as principais lesões (tendinopatia de Aquiles, fascite plantar, metatarsalgia, entorse, canelite e fraturas por estresse) são o primeiro passo. Agir cedo, ao primeiro sinal, é o segundo. E contar com acompanhamento ortopédico qualificado é o que diferencia o corredor que se mantêm em atividade do corredor que vive em ciclos repetidos de lesão e afastamento.

Se você é corredor recreativo ou competitivo e quer correr melhor, mais longe e com menos dor, conte com o Núcleo de Ortopedia Especializada e com o ortopedista Dr. Rodrigo Macedo. Avaliação especializada, diagnóstico preciso, tratamento baseado em evidências e plano de prevenção individualizado: tudo o que o seu desempenho e o seu corpo merecem.

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